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DANÇA DA PRIMAVERA

Texto: Mara Porto


 

A exposição - Dança da Primavera - emana a força expressiva dos bailarinos, Tatiana Cruz e Daniel Canedo, registrados pelo poético e sensível olhar do fotógrafo Helio Siqueira, entre tempos e narrativas de um exercício conceitual da dança-teatro.

O expectador encontrará dois Atos fotográficos inéditos, que traduzem a maneira como o casal estabelece uma relação entre o afeto, a angústia, a liberdade, ecoa a integridade de corpos em silêncio, uma trama que se faz entre entrega, medo e um corpo em condição de manipulação. 

 

O exercício de curadoria dessa exposição permeou na tentativa de trazer uma certa intimidade silenciosa e sutil com a materialidade da natureza que revela suas fissuras. Um certo mistério, uma repetição sincrônica que produz sensações específicas e próprias. Exercício esse de trazer um conceito que costura secretamente a intimidade, os mistérios da alma, um lugar onde o exterior e o interior se encontram. 

 

O conceito da exposição - Dança da Primavera - tem como referência a dança-teatro de Pina Bausch (coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e diretora de balé alemã), que revolucionou e redefiniu a noção de dança. Pina dizia que a dificuldade já começa com o conceito da palavra dança: “A palavra dança estava relacionada a um número muito particular de ideias. Mas a dança não consiste numa técnica particular. Isso seria extremamente arrogante, pensar que muitas outras coisas não seriam dança. E eu acredito que só um bom dançarino possa fazer muitas coisas muito simples. É tudo muito delicado”. 

 

O processo criativo desse trabalho busca uma realidade íntima que é percebida de maneira muito mais implícita que explícita. Nos convida, diante de cada fotografia, inaugurar um tempo outro, interno, singular, e encontrar uma fresta de intimidade que atravesse particularidades em nós, assim como em um momento íntimo de um corpo em oração.

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